quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Ler e comer tomate, só se aprende experimentando




Todo começo de ano vejo um movimento interessante. Pais de alunos com listas de leitura das escolas particulares atrás de livros paradidáticos. E acho tão incrível ver isso, pois é sim incentivo à leitura. 


Não se ensina a comer tomate colocando ao lado da criança e dizendo: olha, isso é um tomate, se quiser, coma. Pra se ensinar a ler, tem que degustar. E muitas crianças não tem isso em casa, como eu tive. Precisam desse empurrão da escola, dessa obrigatoriedade que é o "você tem que provar". 

Parabenizo essa atitude das escolas particulares e me pergunto: escolas públicas, até quando vão dizer ao aluno "a biblioteca está ali, olha que legal" e vão começar a ter atitude de colocar o livro nas mãos deles, como o pai que diz "você vai experimentar esse tomate, esse chuchu, esse jiló, goste ou não"? Coloque um celular e um livro, um doce e um tomate, ele vai pegar o mais "gostoso". 

Precisamos ensinar que existe prazer em ler. E em comer tomate. É um alerta para os pais, mas também para as escolas. Dar o livro pra nota, pra fazer prova, pro vestibular, me fez ler obras que talvez eu nunca tivesse a curiosidade de procurar, me fez conhecer esse mundo incrível, que hoje amo. 

Cansada desse laissez-faire, desse "discursozinho" atual de que a criança tem que escolher. Ela não vai escolher o que não tem oportunidade de conhecer. Não vai comer tomate se não for obrigada, não vai limpar o quarto se não for uma imposição. Isso forma o caráter. Deixar fazer o que quiser, forma um fracassado, que sempre vai escolher o doce ao invés do tomate, o celular ao invés do livro, a vida boa ao invés do trabalho.

sábado, 3 de novembro de 2018

Mentes confusas: consequências dos novos tempos


Confusão. É a herança que recebemos da sociedade contemporânea. Afazeres inúmeros, ser multitarefas, dar conta de tudo. Hoje não basta ser bom em uma coisa. Tem que ser bom em pelo menos umas cinco coisas. Ou mais. A exigência é enorme. O bom profissional é aquele que pensa em rede, que é resiliente. Ser um bom contador? Não. Tem que ser também uma pessoa criativa, criar um blog para a empresa. E entender de como consertar o bebedouro da cozinha. E atender aos clientes de final de semana. Dá até desânimo...

Porque não podemos voltar aos tempos do "sou um ótimo engenheiro". E ponto. Currículo perfeito. Hoje não. Não basta isso. Precisa também dominar outros assuntos, saber fazer de tudo um pouco, tipo "Marido de Aluguel" sabe? Só o diploma de engenheiro não basta.

E isso tudo tem levado as pessoas à loucura. Uma loucura de nunca ser bom o suficiente, de nunca estar satisfeito consigo mesmo. A busca da perfeição. Nunca se ofertou tantos cursos online. "Como vender mais e melhor", "Técnicas para aproveitar melhor seu tempo", "Como ser multitarefa". E por aí vai.

E digo mais, hora infeliz em que as feministas queimaram sutiãs. Elas não sabiam o que estavam fazendo. A luta era justa, por igualdade de direitos e tudo o mais. Porém, não adiantou cem por cento não. Acredito que muito melhorou sim, pois podemos trabalhar fora, ter uma carreira. Mas...com isso agora temos jornada tripla. Trabalho, casa, família. Estar bonita, se arrumar, lavar a louça, a roupa, sair pro trabalho, pensar no cardápio semanal, ir ao mercado. Voltar pro trabalho, dar atenção ao marido, aos filhos. Ajudar com as tarefas escolares, levar para o ballet. Ufa... Tudo sobra para a mulher. Mesmo nas casas onde existe uma divisão de tarefas, onde todos ajudam, o encargo maior ainda é dela. É como se ela fosse a "chefe" de tudo isso.

E a confusão? Ela entra no momento em que a pessoa já não sabe nem mais o que está fazendo. Ela gostaria de organizar sua vida. Planeja isso. Mas chega em casa tão cansada pela jornada tripla que mal tem tempo de cuidar da casa e descansar uns minutos com o Netflix. E as horas passam e ela pensa: Amanhã eu me organizo. Organiza nada. Ela está confusa, cheia de afazeres e não sabe nem por onde começar. Não consegue se organizar porque não depende dela. Toda vez que se organiza, os imprevistos e nosso amigo "Murphy" aparecem e mudam tudo. Pra quê se organizar se já sabe que Murphy não vai deixar isso ser colocado em prática?

Uma mente confusa quer escrever mas só joga palavras numa tela. Quer cozinhar mas faz um "junta comida". Quer limpar mas apenas organiza o básico para viver. Não se concentra em uma atividade. Gasta tempo com qualquer migalha de paz ou diversão. Qualquer coisa que relaxe sua mente e faça esquecer de tudo. Mas...o mundo não deixa esquecer de tudo. A conta sempre chega.

Assistimos inúmeros vídeos com listas para se organizar, Scrum, como administrar seu tempo, como empreender e ter sucesso...mas apenas ficamos mais desesperados por ver tanto conteúdo e tão pouco tempo para aprender tudo.

Durante grande parte da minha vida, eu era extremamente organizada. TUDO tinha que estar organizado. Roupas por tipo. Livros e revistas empilhados num local dos "não lidos" e os outros na estante, por ordem de tamanho e tema. Contas a pagar numa caixinha em cima do armário. Planilha  de horários do meu dia. Dia da semana de cada coisa. Receitas e despesas em tabelas. Uma orquestra perfeitamente afinada.

Até que chega um momento em que o estresse domina a planilha e a canseira, o corpo. Escreve-se quando dá. Lê-se quando tem tempo. Descansa quando não está ocupada. Internet, estímulos, cursos, notícias, novidades, restaurante novo, escola dos filhos, falta de tempo, almoço, jantar, limpeza, escrever...tudo se mistura e entrelaça. E não abre espaço para diálogo. Apenas forma um sopão. Já não tem mais o arroz separadinho do feijão, uma salada e uma carne. Agora o que resta é jogar tudo numa panela de pressão e ficar pronto em quinze minutos. E comer rápido porque logo tem alguma outra coisa que vai surgir, algo que vai furar de novo o planejamento.

Se fôssemos ilhas, talvez pudéssemos ter um regime de governo individual. Mas não somos ilhas. Somos continentes. Interligados. Tudo junto e misturado. E digo mais: isso não tem mais volta. A globalização e tudo o mais que sempre ouvimos desde criança trouxeram uma qualidade de vida boa, mas em seguida a tirou. A conta veio bem alta para quem se refestelou nos excessos e agora tenta recolher toda a água espalhada com uma peneira.

Confuso? Sim. E é para ser. Confuso como nosso interior. Confuso como nosso mundo. Confuso como nossa realidade. Assim estão hoje a maioria das pessoas. Tentando encontrar seu rosto e sua voz num mundo de cópias.

sábado, 2 de junho de 2018

Dinheiro de Plástico???

Quando eu era criança, vivia escutando na TV, nos jornais, falarem sobre um tal "dinheiro de plástico". Ficava imaginando cédulas plastificadas, resistentes. Essas não rasgariam. Comecei até a achar que era uma coisa muito inteligente fazer cédulas de plástico, pois não se estragariam facilmente.




Cresci um pouco mais e fizeram uma tentativa de notas de plástico aqui no Brasil. Então eu pensei: Ahhh, sabia que era isso o dinheiro de plástico! Mas...para minha surpresa, anos depois, descobri que o dinheiro de plástico era outra coisa. Era um cartão. Mágico. Era só passar esse cartão numa maquininha e pronto! Estava pago. Tão mágico como os cheques da minha mãe. (Aliás, recordando uma pequena história, eu era bem pequena e estava na cidade com minha mãe e pedi pipoca. Ela disse que estava sem dinheiro e eu disse: "Dá um cheque"! Imagina, um cheque para pipoca! Ela deu muitas risadas e acabou me comprando a pipoca.)

Demorou até que esse dinheiro mágico chegasse às mãos da população. Eu mesma só fui ter um aos 27 anos. Mas...as pessoas não entendiam que aquela magia tinha um preço...toda magia tem hehe... "Passa o cartão, Maria! Passa o cartão na padaria"!  E então a conta vinha. Um boleto, uma faturazinha assim, bem levezinha. Era marido xingando, esposa correndo, filho chorando. Mas não tinha jeito, a conta teria que ser paga.



Foi aí que o brasileiro começou a entender o sentido desse dinheiro de plástico. E percebeu que teria que se controlar. Mas...esse bendito se espalhou. Chegou nas mãos de muita gente. Todos podiam ter um cartão. Mas não souberam usar. Se descontrolaram. Compraram mais sapatos do que tinham pés e mais bonecas que filhas. E diziam: "Ah, são só dez parcelinhas de dez reais"! e depois uma segunda compra: "Mais algumas parcelinhas de quinze reais". E de real em real, a conta começou a sair do controle.

Anos depois, com a facilidade do crédito, muitos ainda não aprenderam. E não sabem usar o cartão a seu favor. Pelo contrário. O dinheiro de plástico deixa de ser mágico quando a fatura chega. E quando ela chega alta, dá vontade de correr na loja e devolver aquele inútil descascador elétrico de batatas. Pois faz muita sujeira, gasta energia e ainda é pior do que o bom descascador de lâmina...


domingo, 24 de dezembro de 2017

A uva passa, o Natal e onde eu entro nisso tudo

Quando eu era criança, simplesmente não entendia a relação dos adultos com a uva passa. Que graça viam naquela coisinha gelatinosa, com um gosto esquisito, parecia algo estragado. E o pior de tudo: por que colocar uva passa em tudo? Minha avó, mãe e tias colocavam a bendita no arroz, na maionese, na farofa...e no bolo de Natal. Fora o panetone, que eu, sinceramente, preferia o chocotone a ele.




Essa mistura de sabor doce, com salgado, essa bagunça que paladar de criança simplesmente não entende. Porque paladar de criança é aquela coisa: açúcar demais, salgado demais, e um "eca" pro azedo, pro amargo, e pro "misturado"


Aprendi a gostar dela (e hoje como até pura) numas férias, na casa da minha avó. Minha mãe costumava fazer um trabalho extra no natal, numa loja de brinquedos da cidade, e eu passava esse mês de dezembro na minha avó. E, um dia, assistindo "ZYB Bom", da Tv Bandeirantes, meu avô me trouxe o panetone para o café da tarde. E me disse: tem umas frutinhas muito gostosas, experimente.

A princípio fiz careta e fui tirando as frutinhas. Até que, observando vovô comer com tanto gosto, resolvi provar também. E casa de vó, não tinha aquele bando de porcarias que tinha em casa. Tudo caseiro, bolachinha de nata, mingau de aveia...o panetone de frutas me pareceu muito bom. E as uvas passas. Daí pra comer farofa com uva passa foi um pulinho. Logo estava no arroz, nos bolos de frutas, e até comendo pura, no lanchinho.



Lembrei de toda essa história depois de ver várias postagens nas redes sociais, onde as pessoas reclamam da uva passa em tudo no Natal. Uns são contra, outros a favor mas uma coisa é unânime: Natal e uva passa são parceiros inseparáveis. Quem nunca debateu  sobre isso? Nunca respondeu concordando ou discordando?

Mas de onde surgiu o costume de colocar uva passa na comida da Ceia de Natal? Encontrei algumas explicações sobre a possível origem desse costume e me pareceram uma boa:
               "A história da uva passa vai muito além do que a culinária e nos faz voltar até os tempos da Roma Antiga. A fruta possui uma ligação muito forte com o solstício de inverno e era dada como presente nas celebrações dessa data. Além de tudo, nas classes mais altas da sociedade, essas especiarias vinham cobertas com ouro, servindo até mesmo de decoração.
               Para os romanos cada tipo de fruta seca tem um significado e fazem parte de um costume dessa antiga civilização que promete a ausência de fome, pobreza e ainda protege contra os excessos da bebida".
Fonte: http://www.jornaljr.com.br/2016/12/23/uva-passa-na-comida/



Para quem precisava de um bom motivo para aderir à essa frutinha que desperta sentimentos de amor e ódio, aí está.
A uva passa na ceia é tão famosa quanto o especial de natal do Roberto Carlos (que também desperta sentimentos de amor e ódio, digamos assim). E claro, também a piada do "é pavê ou pá cumê"?
E por que não provar já que faz tanto bem à saúde? A fruta ajuda na dieta. Um punhadinho serve como lanchinho entre as refeições, sendo bem menos calórica que um pãozinho. Ela previne, por exemplo, doenças como câncer, Alzheimer, Parkinson e demência. Evita que as pessoas na menopausa tenham perda óssea. Tem fibras e diminui o colesterol. Uau!
Olha, neste Natal vou falar pra mamãe querida encher meu arroz, minha farofa e o que mais quiser com passas. Apenas deixo um recadinho a ela: por favor minha adorada mãe, não coloque maçã na maionese. Aí também não há cristão que aguente...

Desejo a todos um Feliz Natal e uma ceia cheinha de uva passa! Só pra quem gosta, claro...




domingo, 29 de outubro de 2017

A tempestade não dura para sempre



Imagine a cena: você, dentro de um barco. Lá fora uma tempestade terrível. Chuva. Relâmpagos e trovões. Ventania. O mar agitado, revolto. Ondas altas. Um verdadeiro caos. O barco sendo jogado de um lado para o outro. Parece que tudo vai terminar naquele dia. Mas não. É uma tempestade que já dura dias.


No início você se desespera. Não consegue realizar suas atividades cotidianas. Se sente mal. Nos pequenos intervalos entre o pico de uma tempestade e o início de outra, você não sabe se puxa a água do convés ou se tenta organizar os mantimentos espalhados. É como se enxergasse um quebra cabeça de muitas peças todo espalhado. E você precisa montar, mesmo sabendo que ele vai se desmanchar de novo. Mas precisa tentar.



E por muitos dias essa é sua rotina. E começa a perceber que não pode lutar contra ela. A tempestade. Você precisa comer. Tomar banho. Navegar. Infelizmente vai ser assim. Não há jeito. Ou vive no meio da tormenta, ou morre. Então começa a perceber o padrão da tempestade. Precisa entender o padrão. Para nos intervalos conseguir fazer o necessário para sua sobrevivência. Pois já não se trata mais de outra coisa, mas de se manter vivo enquanto durar essa tormenta.


Mas passa mais um tempo e o padrão muda. E volta à estaca zero. Mas agora você já está mais experiente. Aprendeu como observar padrões. E em menos tempo do que o outro, você descobre o padrão deste. E se adapta mais rapidamente.


Mas depois de várias tempestades e descobertas de padrões, você percebe que não é só isso. Que está na hora de fazer alguma coisa. De navegar por outras águas. De mudar a direção. E com toda sua experiência em navegação, com certeza vai sobreviver em outras condições. O que não pode é ficar ali, estagnado. Deve haver um local melhor para navegar. Não sem temporais, mas com temporais mais suportáveis, ou mais fracos. Um lugar para ser feliz. E não apenas sobreviver.




Então você reúne todos os seus conhecimentos. Suprimentos. Equipamentos. Estuda bem sua nova rota. procura fazer planificações, simulações. Em meio à tempestade atual, já incorporada e conhecida, a esperança é partir. E recomeçar. E ter novidades.


Então chega o dia. Uma nova aventura. Sua liberdade. Você sente medo, mas ao mesmo tempo algo te impele. Não quer mais o velho, quer o desconhecido. Qualquer coisa é melhor que continuar na mesmice. Mas pelo seu planejamento, você tem noventa por cento de certeza que encontrará um lugar melhor. Já sente de novo seu sangue correndo pelas veias. O coração batendo forte, um cheiro de novidade. Está na hora. A mudança começa agora.


...



sábado, 28 de outubro de 2017

Culpas Modernas



Culpa. É o sentimento que persegue o pensamento das mães de hoje. Falta de tempo, atividades e serviços deixados pela metade.Tudo feito da maneira que dá. Mil coisas ao mesmo tempo. Pouco descanso, muitos compromissos. Carga horária de trabalho puxada. Estímulos externos. Overdose de tecnologia. Hiper-conectividade. Super mulher. 

Sim, tudo isso acontece na vida de uma mulher, todos os dias. Ela não tem tempo para refletir ou descansar. Não tem tempo para deixar o colarinho da camisa do marido bem passada, ou de preparar o bolo preferido da filha. Não consegue mais manter a casa organizada, a pia sem louça, recolher a roupa assim que seca. Essa mulher acorda antes das seis horas e dorme depois da meia noite. E no seu tempo livre, que é pouquíssimo, ela tem que se empenhar em ser melhor, estudar, crescer no trabalho, ou não sustenta sua casa. O marido precisa de apoio.

Saudade do meu tempo de criança. Minha mãe não trabalhou fora sempre. E quando trabalhava, a carga horária era mais leve. Minha mãe tinha tempo pra tudo: pra cuidar de mim, do meu pai, da casa e de si mesma. Nossa casa estava sempre bonita, limpa. Meu cabelo penteado, sempre de roupinhas bem passadas. Meu pai chegava em casa e tinha comidinha quente. E pensa que ela era uma Amélia, que só cuidava da gente? Não! Minha mãe se cuidava. Andava bonita, fazia as unhas, cuidava de sua aparência. Lia seus livros, fazia cursos. Minha mãe tinha tempo para ela. Tinha tempo pra família. E como tive uma infância feliz! 

Mas hoje, a culpa acorda com a gente. E dorme também. De manhã é a culpa por ter dormido tarde e ter deixado alguma coisa por fazer. A culpa de não tomar um bom café, por não dar tempo. A culpa de não ter preparado um lanche caseiro pra filha que vai pra escola e dar uns trocados para comprar salgados que não são nada saudáveis. A culpa de não conseguir passar todas as roupas do filho, ou de de deixar os panos de prato de molho. A culpa de não conseguir fazer salada no almoço e às vezes nem de cozinhar algo diferente. Porque o almoço precisa ser rápido. A culpa de não conseguir ir sempre fazer seus exercícios, porque outros compromissos aparecem. A culpa de ter esquecido de tomar o remédio. A culpa de ter esquecido o remédio do filho. A culpa de ter se atrasado, de ter esquecido alguma coisa no outro lado da cidade e ter que voltar para buscar. A culpa de ir dormir tarde porque precisou adiantar coisas que não teve tempo durante o dia e ter que comprar uma pizza ou um lanche para a janta da família. A culpa bendita de não responder seu amigo na rede social, de não ter tempo para bater papo com ele, e nem de poder ir à sua casa fazer um churrasquinho. A culpa de não ter feito as unhas ou comprado uma blusa nova para um evento, ou de não ter ajudado sua filha a se arrumar e ficar mais bonita do que já é. A culpa de trabalhar tanto e conseguir tão pouco. 



Será que minha mãe, ou minha avó, sentiam essas culpas? Algumas creio que sim. Mas a maioria são culpas modernas. São aqueles problemas que nós mesmos criamos. O ser humano evoluiu com a tecnologia e com a mesma está se destruindo. Ela nos ajuda, mas se usada com sabedoria. A maioria dos compromissos que temos hoje, nem existiam na época de nossos pais. Minha mãe me deixava ir pra escola de ônibus e não sabia se cheguei bem, pois não existia celular. Ela tinha que confiar. Em mim,em Deus. Só digo que nunca deixei de tranquilizá-la. Se perdia o ônibus ou me atrasava, corria pro orelhão e avisava. 

Espero que as mães de hoje recebam uma indulgência. Pelos seus pecados. Pelas suas culpas, pelo que fazem e pelo que não fazem. Pelo tempo que não tem e pelo tempo mal usado. Que seus filhos as perdoem e que tenham menos culpa quando forem pais. Que aprendam a usar melhor o tempo, em coisas realmente importantes. Que a próxima geração de pais não sinta tanta culpa. 

domingo, 22 de outubro de 2017

Vamos falar de Musicais? Vamos entender e conhecer alguns dos mais famosos filmes do gênero.





O que é um musical? O que descreveria melhor esse gênero de filme? Primeiro, o que NÃO é um musical: não é apenas um filme onde se canta muito. Não é um show em DVD. Não é um filme sobre cantores famosos. Nada disso. Uma característica marcante dos musicais é que grande parte das falas dos atores são cantadas. São raros os musicais onde se canta em 100% do tempo. A maioria intercala falas e músicas. Mas esse traço essencial deve existir para se caracterizar como musical.
Em "Glee", série de TV musical produzida pela FOX, a treinadora Sue Sylvester diz porque detesta musicais: "não entendo como de repente uma pessoa começa a cantar e todos sabem a letra e a coreografia. " (Glee teve seis temporadas e fez muito sucesso na TV. Perfeita para os fãs de musicais)
Nos musicais, magicamente, começa uma música de fundo e os personagens começam a cantar o que eles iriam dizer. E ambos sabem as musicas. E as coreografias. E ao invés dele explicar o porque de gostar tanto de um dia de sol, ou porque se sente tão bem ao lado do outro, ele apenas canta isso, com as palavras perfeitas para aquele momento. Não é uma música deslocada ou apenas um acessório ao filme. É uma fala importante da história, com uma melodia. E é muito envolvente para o público. Eu mesma, muitas vezes tenho vontade de ver minha vida transformada num musical. Quero acordar e cantar sobre o frio, sobre o dia que vai começar, sobre o meu cansaço ou alegria. Mas...imagino que os meus vizinhos me achariam no mínimo maluca...E olha que as palavras e melodias realmente aparecem em minha mente! Adoraria ser como a Bela, em "A Bela e a Fera" e sair cantando pelas colinas!



Enfim, agora que definimos o que são os "Musicais", vamos falar sobre alguns deles.
Se isso fosse um vídeo, eu já estaria cantando esse texto para vocês. Mas não sendo, vamos tentar fazer sua mente entrar no ritmo. Primeiro musical e meu predileto: "Mamma Mia" (2008). Um filme que conta a história de Sophie, (Amanda Seyfried) uma garota que mora com a mãe em uma ilha paradisíaca na Grécia. A mãe (Meryl Streep) administra um "hotel" turístico e prepara o casamento de Sophie com Sky (Dominic Copper). Nesse meio tempo, Sophie encontra um diário antigo da mãe e descobre que tem três possíveis pais. E resolve chamá-los para seu casamento, sem o conhecimento da mãe, pois acredita  que apenas ao vê-los saberá quem é seu pai. Mas não acontece bem assim e uma série de situações cômicas e trágicas se desenrolam até o mistério do filme se revelar. Será? Esse filme foi adaptado de uma peça de mesmo nome, e é muito divertido, pois todas as canções são grupo ABBA, muito famoso nos anos 70.



O musical "Moulin Rouge" (2001) conta a história de um escritor, Cristian (Ewan McGregor) e sua amada Satine (Nicole Kidman). Cristian vai para a boêmia Paris de 1899 para poder escrever e viver a liberdade e o amor. Após conhecer um grupo de boêmios, eles convencem Cristian a apresentar sua poesia à Satine, uma cortesã de luxo, o "diamante cintilante" do Moulin Rouge. Porém, Satine o confunde com um Duque, que iria fazer um grande investimento e para isso queria encontrar com a cortesã à sós. Quem entra no quarto é Cristian, e  acabam se apaixonando e vivendo um romance às escondidas. Mas Satine tem pouco tempo de vida. E pouco tempo para proteger seu amado. O visual é deslumbrante e as músicas entram no filme de maneira inusitada, pois são músicas pop já conhecidas, repaginadas para o filme, o que o torna bastante divertido em certos momentos, como, por exemplo, a cena em que o diretor do Moulin Rouge canta "Like a Virgin" , de Madonna. Impagável.




Em "Chicago"(2002), Roxie Hart (Reneé Zelweger)  e Velma Kelly (Catherine Zeta-Jones) estão presas na mesma cadeia, acusadas de assassinato. Velma assassinou seu marido, após flagrar sua irmã e ele na cama. Roxie, o seu namorado. Ambas tem o mesmo desejo: fama. Para isso, se utilizam da mídia da época, os jornais, para voltarem ao estrelato após a saída da prisão. Detalhe: elas são rivais e farão de tudo para vencer e voltar ao showbiz. Para mim um dos melhores momentos é quando Velma canta "All that Jazz", com Roxie assistindo e almejando ter o sucesso dela. Aliás, Chigago pegou carona no sucesso de Moulin Rouge.


"Hairspray" (2007) é um outro filme também baseado numa peça da Broadway. Se passa no ano de 1962. Todos os jovens tem um sonho: dançar no programa de TV "The Corny Collins Show". Tracy (Nikki Blonsky), uma garota fora dos padrões de beleza, consegue chamar a atenção dos juízes e participar do show. Mas terá que lutar para se manter e quebrar os preconceitos para vencer o concurso de miss Hairspray. John Travolta faz o papel da mãe de Tracy.



Um filme bem interessante é "Caminhos da Floresta" (2014). Um padeiro e sua mulher vivem em um vilarejo, onde convivem com vários personagens dos contos de fadas. Uma bruxa lança sobre eles um feitiço, para que nunca tenham filhos. Ela diz que o feitiço só será desfeito se trouxerem quatro coisas que ela pedir. Então eles adentram a floresta atrás dos objetos e tudo acontece de maneira mágica e musical. Destaque para Johnny Deep de Lobo Mau.



Quem gosta de musicais não pode deixar de fora "Os Miseráveis" (2012). Outra adaptação da Broadway, inspirada em uma clássica obra do escritor Victor Hugo. Jean Valjean (Hugh Jackman), durante a Revolução de julho da França do século XIX, rouba um pão para matar a fome de sua irmã e é preso. Anos depois ele cumpre sua pena mas fica sob liberdade condicional. Mas ele quebra a condicional e passa a ser perseguido pelo inspetor Javert (Russell Crowe), durante décadas. Paralela a esta história vemos Fantine (Anne Hattaway), uma garota abandonada grávida pelo namorado que passa por inúmeros sofrimentos, e que terá seu destino cruzado com o de Valjean. Só tem a versão legendada pois o filme é todo cantado e foi gravado ao vivo, sem "playback", como se estivessem mesmo em uma peça da Broadway.


Além desses, temos outros musicais atuais e interessantes: "A poção da juventude" (Lovestruck, The  Musical), "Teen Beach Movie" tem elementos de ficção e seguem a linha da comédia. Temos também"La la Land", um dos mais recentes e que foi indicado a vários Oscars, ganhando em várias categorias. Também "A Bela e a Fera", de 2017.



E claro, não nos esqueçamos dos clássicos: "Mary Poppins", "A noviça rebelde", "Cantando na chuva", "O mágico de Oz", "Funny Girl", "Grease"... Obrigatórios para os fãs do gênero. E... as animações da Disney! Inesquecíveis.



Acredito que com essa listinha já dê para fazer várias noites da pipoca e guaraná com os amigos, regada à música da melhor qualidade!