domingo, 24 de setembro de 2017

Uma noite no cinema


Gostaria de falar um pouco de cinema. Mas não de lado de lá. Quero falar do lado de cá. Do lado do espectador. Espectador? Palavrinha antiga, não só no termo, mas também na sua definição. Porque hoje não somos mais espectadores. Participamos, escolhemos, criamos conteúdo. O cinema, a TV, as mídias respondem aos nossos desejos. Mas fiquemos por ora apenas com o cinema. Sábado a noite. Dia oficial do filme. Pelo menos pra mim. Na sexta já me programo. Organizo toda a minha vida para assistir algo especial. Não aqueles filmes que pegamos pela metade durante a semana na TV a cabo. Mas aquele filme especial, escolhido a dedo. Uma ocasião de cinema. Sim, sábado é minha "ocasião de cinema".
Na sexta já começo a pensar. Olho primeiro nos anúncios de cinema do jornal. Vejo trailers, horários. Se algo me agrada já me programo. Compro online. Ou chego uma hora antes. Depende de meu tempo e meu estado de espírito. Se nada me tocou, começo a pensar no plano B: filme em casa. Na categoria filme em casa eu tinha três opções: locadora, TV a cabo e Netflix. Porém, a locadora perto de casa fechou, e fiquei triste pois eu ia lá desde criancinha. Era um dos meus locais prediletos. Senti quase a mesma tristeza que no dia que demoliram um dos cinemas mais antigos de minha cidade. Ou no dia que demoliram metade da escola onde estudei a vida toda.




Aham, continuando, Tenho duas opções. E dentro da opção TV a cabo, tenho uma sub-opção, que substitui de maneira 4x mais cara a minha antiga locadora, que é "locar" filmes online. Qualidade de imagem e som é bem melhor, mas na locadora física eu pegava vários filmes pelo preço de um nesse novo sistema. Escolhida a opção, vem a parte deliciosa: os "comes" durante o filme.
Sou do tipo que não assiste filme sem beliscar. Pipoca é a opção 1. Depois vem salgadinhos de pacote, chocolate, docinhos de gelatina ou goma, chiclete e suco. Ou refrigerante. Sim, muitas gordices. Ocasião especial pede cardápio ousado.
Tudo preparado, no cinema ou em casa, é só chamar a galerinha e dar o "play".
Adoro os trailers. Conheço minhas futuras escolhas de filmes. E já fico ansiosa dizendo: esse eu quero ver! Ah, esse deve ser uma porcaria. E também fico muito brava com filmes cheios de spoilers. Assistindo o trailer não precisa nem ver o filme. Você já sabe tudo o que vai acontecer. O bom é que se demorar uns meses pro filme passar a gente só lembra que gostou do trailer e assiste, pois já esqueceu de tudo...

Começa o filme e também a bagunça. Aquele "clic" característico das latinhas de refrigerante sendo abertas ou o barulhinho do gás saindo das garrafas. O som do saquinho de salgadinho e das pipocas sendo mastigadas. Mas ninguém reclama, pois todos estão juntos nessa.


Daí a pouco aquela criança que fica perguntando tudo: "Mãe, porque ele pegou aquele pauzinho? Quem é a Mary? Olha, ele tá abaixando, olha, ele pegou a pedra, olha, ele jogou a pedra na cara da senhora..." E de repente um "shiuuuuu"! Silêncio pedido e solicitação atendida. E quando vai aquela galerinha que tudo que acontece tira sarro em voz alta? Ou aquele casal que nem filme tá vendo, só quer se beijar bem na sua frente fazendo aquele barulhinho irritante de beijo que só aguenta escutar quem está participando? Ainda não acabou não! Se o filme é de comédia sempre tem aquele "ser" com a risada mais escrachada de toda a cidade, que resolve vir exatamente na sua sessão e que te faz rir mais do que o próprio filme. Nas primeiras vezes né? Depois aquilo vai te irritando e a vontade é de subir e colocar uma rolha na bendita ou bendito.
Mas ainda tem uma situação específica que é a do filme longo e interessante. Porque você quer ir ao banheiro, mas não quer perder nadinha do filme. Então, já sabendo disso, você nem bebe seu suco. Molha um pouquinho a boca quando dá aquela sede, porque é melhor passar sede do que sair do filme e perder algum lance. E quando você não sabia que o filme era longo e bebe 3 litros de água e acaba saindo e, quando volta, o personagem principal morreu ou aconteceu a coisa mais importante do filme e ninguém quer te explicar porque está atento à ação?
Em casa tem alguns problemas que não acontecem como no cinema. O banheiro está ao lado. Mas se aumentamos o som, no caso de apartamentos, logo o vizinho interfona ao porteiro que nos pede pra abaixar, ou, os mais impacientes já lascam a vassoura no teto. Ou no piso, no meu caso. Então ficamos sem a opção do som que tem no cinema. Mas quem mora numa casa grande e isolada pode fazer "a" sala de cinema. Então coloca sua tela de 60 polegadas com um som espetacular e pronto. Cinema sem seus inconvenientes.
Mas apesar de tudo isso, adoro o cinema. Em casa ou fora dela. E mesmo as vezes saindo brava de um filme, logo estou de volta. Pronta pra escutar de novo a risada da tia doida, ou pra passar sede e não ter que ir ao banheiro e perder a melhor parte do filme.



domingo, 17 de setembro de 2017

Por que gostamos tanto de séries?

Recentemente, depois de quase um ano, estou terminando de assistir à série "Glee", pelo Netflix. E com isso percebi que os apaixonados por séries e por filmes tem perfis diferentes. Ou, como eu, tem momentos diferentes. A série tem algo mais duradouro. Você pode se apegar mais ao personagem, pois irá vê-lo muitas vezes ainda. Irá acompanhar sua trajetória. Desenvolvemos uma relação pessoal com aquela série, principalmente quando ela condiz com nossos interesses pessoais. No meu caso, Glee, me toca totalmente, pois sou musicista. A série me envolve, me faz querer ver mais e ao mesmo tempo não querer que ela acabe. Mal eu terminei essa última temporada e já estou vendo a primeira de novo. Até porque a Netflix decidiu que vai retirar a mesma de seu catálogo em 01 de julho desse ano.




Mas o que diferencia o apreciador de séries e o de filmes? Ou, pelo menos nossos "momentos de vida Séries" e nosso "Momento Filmes"?
Tem dias que não quero ver uma série. Quero simplesmente ver um filme e resolver o assunto. Ou vários. Dias em que não quero me envolver ou apegar. Quero ver várias histórias que se resolvem em no máximo duas horas. Parece -me que nesses dias estamos precisando de algo que se resolva rápido, que nos dê o entretenimento necessário e nos satisfaça imediatamente. Queremos a sensação agradável e imediata. Percebo também que são dias mais acelerados e que estou aberta ao novo.

Mas tem os dias da série. Percebo nesses dias que quero algo familiar. Não quero conhecer novos personagens. Quero ver meus velhos conhecidos, acompanhar sua história, ver seus altos e baixos. saber o que vem a seguir, como vão lidar com isso. Me emocionar com suas conquistas, chorar com suas perdas, me irritar com seus erros. Percebo que são dias que estou mais paciente, disposta a ouvir os problemas dos "meus" personagens.


Esses dois momentos são distintos, mas não se excluem. Já aconteceu comigo de começar um filme e ter uma nostalgia, pelo filme ter acabado. Ficar com vontade de mais. Um vazio de "o que acontece depois"? Então corri para minha série. E agora, com o fim de Glee, procuro desesperadamente um outra que possa me envolver tanto como ela fez. Uma exceção é a trilogia de "Senhor dos Anéis". Me satisfez completamente, teve uma resolução, mostrou o que aconteceu depois da vitória, com cada personagem. Não vi novamente, pois ficou tudo certo pra mim. Resolvido, acabado.
Enquanto acompanhava Glee, passei também por outras séries. Séries que vão continuar. Que aguardo a segunda temporada. "3%", "Girlboss", "Once Upon a Time" (esta última aguardo pelo Netflix pois não consigo ver pela TV, quase nunca consigo estar em casa no horário marcado que ela passa).


E o Netflix e outros serviços de Streaming de Videos, nos proporcionam esta personalização, esse sentimento de posse com a série. "Ela é minha, posso ver a hora que quiser e onde quiser. Ela estará lá para mim". O filme, mesmo os que mais gostamos, são efêmeros. Eu assisto e passou. Ele cumpre sua função. Mesmo que possamos vê-lo outras trinta vezes, não dá aquele sentimento de perda porque ele sairá do catálogo. Ele ainda pode ser encontrado.



Fiquei contente essa semana porque um dos meus filmes "água com açúcar" prediletos entrou no catálogo da Netflix. "Enquanto Você Dormia", com Sandra Bullock e Bill Pullman. Mesmo já tendo visto umas vinte vezes, fiquei feliz pois procuro este filme há tempo para rever. E poder ver "Star Wars" no Net Now? Quando eu quiser? Mas, mesmo assim, sei que posso encontrá-los de alguma maneira por aí.


Já com as séries é um sentimento de orfandade quando retiram do catálogo. Já não terei mais a segurança de ver Glee novamente. Ela não estará mais lá. E será que poderei encontrá-la em outro lugar? É como se meus amigos, que convivi por um ano, fossem embora. E já não pudesse mais me comunicar com eles.
O final de uma série nos traz uma satisfação, pois fecha um ciclo. Mas nos deixa nostálgicos. Parece o mesmo sentimento de quando terminamos uma faculdade. Alívio e tristeza. E que alegria é quando sabemos que aquela temporada não será a última! É como voltar à faculdade para uma pós-graduação, com vários amigos que estudaram conosco. É saber o que houve depois, como ficaram. É como rever nossos queridos depois de uma longa separação.


Depois do final, nos resta encontrar uma outra série que nos encante. E que nos faça esperar pela próxima temporada. Mas "caçar" essa série é que é a parte difícil. Já comecei várias, mas nenhuma mexeu com aquela "coisinha diferente" lá dentro. Nem por isso deixarei de procurar pelos meus próximos amigos e inimigos que passarão um bom tempo comigo. Enquanto não os encontro, vou conhecendo amigos de uma noite, nos filmes.



Ps: Após terminar este artigo, ainda com essa insatisfação por perder Glee, comecei a procurar pela internet a série. E, procurando em minha TV, no Net Now, descobri que esta série faz parte do catálogo da "Claro Vídeos" até Agosto de 2019. Fiquei muito feliz. Mas o sentimento que descrevi acima foi muito verdadeiro e não mudo em nada o que disse. Ficar sem nossa série favorita traz mesmo o sentimento de "orfandade". 

terça-feira, 12 de setembro de 2017

A seta no automóvel: instruções simples de como utilizar essa maravilha tecnológica


Pessoal, hoje eu estou aqui para escrever um texto informativo ensinando a vocês, o que é a Seta. Vou tentar ser bem clara e mostrar ilustrações para que todos possam entender e utilizar essa ferramenta mágica que existe em seus automóveis e que muita gente não conhece.
Vamos lá: a seta é uma pequena alavanca, localizada junto ao volante do carro, do lado esquerdo. Quando a acionamos, uma luz se acende lá na traseira do carro. Se a colocarmos para baixo, acende a luz do lado esquerdo. Colocando para cima, meus queridos, acende a luz do lado direito. Fantástico não? Isso ajuda muito, pois já não precisamos mais ficar tentando adivinhar para onde o carro da frente vai! As crianças que se chateiam um pouco porque adoram brincar de adivinhar para que lado o carro vai virar. Mas, paciência.



A pessoa que está atrás fica muito alegre quando você aciona a seta. Você achou que ela era apenas um enfeite ou algo sem função no carro né? Ahaaá! Agora você descobriu para que ela serve! Também evita que você bata o carro! Não é ótimo? Eu sei que se isso virar moda, se todo mundo aprender o que é a seta e passar a usá-la, muitos acidentes serão evitados. E com isso as oficinas de funilaria podem ficar bem chateadas. Mas você não. Você vai adorar não ter mais que ir toda semana retocar a lataria do seu veículo ou trocar seus faróis porque ficou tentando adivinhar para que lado o carro da frente viraria! Isso sim é inovação!


Eu não vivo mais sem a seta. Evita tanto estresse e brigas no trânsito. E também evita atropelamentos, pois o pedestre sabe para que lado você vai virar. Desde que a conheci não parei mais de usar. Confesso, viciei na seta. Mas a coloco mais na categoria de hábitos saudáveis. Comer frutas, fazer exercícios e usar a seta farão, com certeza, que você e eu tenhamos uma vida mais longa e com saúde! Comece a usar hoje mesmo! Não tem contraindicações, desde que seja usada da maneira correta.

sábado, 31 de dezembro de 2016

Brincadeiras e tradições de ano novo


Final de ano. Festas, ceias, churrascos. Família reunida para festejar. Fico relembrando as agruras da infância. Ainda hoje vemos muitas pessoas que se preocupam com a cor da roupa, em usar calcinha nova ou pelo menos uma peça de roupa nova, em fazer alguns rituais para ter sorte no novo ano.

Quando eu era criança, acabava participando de muitos desses rituais e tradições. Nunca acreditei muito nessas coisas, pois não sou supersticiosa. Para minhas primas e eu, tudo era uma brincadeira mágica. E quais eram os rituais? Vamos lista-los aqui:

1 – Cores de roupas e nossos desejos para o próximo ano. A maioria vestia branco, para ter paz. Mas os adultos escolhiam lingeries de cores variadas de acordo com o que gostariam de ter também no novo ano, além da paz. Vermelho: paixão. Rosa: amor. Verde: esperança. Amarelo ou dourado: dinheiro. E por aí vai. E nós, crianças, queríamos mesmo era o branco. Deus me livre roupa vermelha pra ter paixão! Queríamos era bagunça e diversão! Claro que se tivesse uma cor especial pra ganhar mais presentes, bem que gostaríamos.




2 – O que fizéssemos à meia noite e no primeiro dia do ano, faríamos o ano todo. Nessa hora a gente caprichava. Fazer a contagem regressiva com o pé direito, perto da família, alegres e sorrindo era primordial. E no dia 01? Fazíamos tudo o que era mais divertido. Brincadeiras, doces gostosos, música. Ganhar presentes...hehe. Porque queríamos continuar o ano todo assim. E quando acontecia algo ruim no primeiro dia tipo uma dor de barriga, ou não entrar de pé direito? E quando acordávamos tarde, achávamos que acordaríamos tarde o ano todo. Se comêssemos bolo, comeríamos o ano todo e por aí vai.


3 – Comer romã e colocar na carteira. Lembro bem de ir com nossos pais atrás de Romã, uma fruta exótica, para poder comer sete sementes no dia de ano e colocar na carteira para ter fartura. Eu e minhas primas não estávamos nem ligando pra isso. Só pra chupar umas sementinhas de romã mesmo que eram bem gostosas...


4 – Existiam também os pratos típicos da data. A lentilha, o espumante, o bolo da vó. Nossos pais comiam lentilha pra ter sorte. E nós porque era gostoso. Sinceramente? Eu nem sabia direito o que era ter sorte naquela época. Pra mim eu já tinha muita sorte.


Hoje me lembro e dou muita risada. Já não ligo mais pra cor de roupa. Mas gosto de usar roupa nova, como em qualquer festa. Percebo que esses rituais eram mais brincadeiras para nós crianças. E os nossos pais já perceberam que tudo isso não vale nada. O que vale de verdade é trabalhar muito para ter as coisas. O rico, o bem-sucedido, 99% das vezes não teve sorte. Teve suor, esforço e luta. Teve coragem de acordar cedo, dar o seu melhor. Teve visão de futuro e plantou a semente. Sorte é poder acordar todos os dias e lutar pelos seus objetivos. Sorte é trabalhar no que gosta. Sorte é ter uma família unida o ano todo, não apenas nas festas. É ter saúde. Feliz ano novo para todos!!!

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

O Natal em duas épocas diferentes: 1985 e 2016




1985. Semana do Natal. Centro comercial da cidade. Uma mãe e seus três filhos em busca dos presentes de Natal. A mãe e os filhos pegam o ônibus. As crianças super animadas por andar de ônibus. Riem, conversam, brincam. Olham tudo lá fora e acham muito interessante. O filho maior ajuda a mãe, com toda alegria a cuidar dos menores. Vão comprar presentes para os primos, avós, tios...e estão com uma cartinha na mão, cada um, para colocar nos correios para o Papai Noel.


Durante o passeio, observam tudo. Os carros, motos, casa, crianças, anúncios em outdoors, o cachorrinho andando na calçada. Tudo é motivo para brincadeira. "Vamos contar quantos carros azuis nós vemos até chegar à cidade?" "Vamos ver se aquele cachorrinho vai entrar naquela casa?" E em meio a brincadeiras, esperam ansiosamente para ver o Papai Noel e comer pipoca do pipoqueiro.


2016. Semana do Natal. Um dos Shoppings da Cidade. Uma mãe e seus dois filhos em busca dos presentes de Natal. A mãe e os filhos entram no carro. As crianças animadas por que vão ao Shopping. Cada uma com seu smartphone. Não tiram os olhos da tela. O filho maior briga com o menor e diz pra mãe que ele é muito chato e não fica quieto, não abaixa o volume do seu vídeo e atrapalha sua conversa com a galera do "Whats". Vão comprar presentes para os parentes mais próximos como sua avó e seu priminho menor. Afinal, não dá pra gastar muito. O menor mandou uma mensagem para o Papai Noel no site. O maior nem está ligando pra isso. Sabe que a mãe ou pai que compram mesmo.


Durante o passeio, Riem dos vídeos assistidos, conversam com os amiguinhos no Whatsapp. E não conversam entre si. Aliás, nem sabem o caminho para ir ao Shopping. Esperam ansiosamente para comer um Combo completo numa lanchonete de "Fast Food". Com direito a refrigerante grande, batata frita e sorvete.






1985. Noite de Natal. Que alegria a reunião em família! Vem primos, tios, vizinhos. Muita gente se reúne na casa da vovó. Cada um leva um prato diferente. Todos feitos em casa, assados, fritos cozidos pelas mães. Na TV os programas de Natal infantis especiais. Que só passam no Natal e elas esperaram dias pra ver. A aguardada espera para comer a ceia à meia noite. A oração e os abraços em todos quando chega a hora. Depois disso, todas as crianças correm pra perto da árvore da avó, que foi feita pelas próprias crianças com galhos que o avô apanhou no bosque, e são orientados a fechar os olhos. Se abrirem, o papai noel não vem. E elas fecham e não abrem nem sob ameaça de morte! Então tocam sininhos, e elas sabem que o papai noel está com seu trenó, na garagem da vovó. E quando são autorizados a abrir os olhos: lá está o presente que ele trouxe na casa da vovó!


Ao ir pra casa, vão ansiosos. E chegando lá, mais uma surpresa! Um outro presente deixado pelo papai noel debaixo da sua árvore! E elas ficam imaginando como será que ele fez para estar em dois lugares diferentes ao mesmo tempo? Mas logo deixam isso pra lá. Afinal, ele é mágico.  E vão dormir. No dia seguinte vão de novo pra vovó e cada um leva seu brinquedo. Bolas, bonecas, jogos de tabuleiro, carrinhos, bicicletas... E todos brincam juntos.


2016. Noite de Natal. As famílias se reúnem. Na casa dos avós, ou dos tios, ou numa chácara. Quem vier precisa rachar as despesas. Poucos preparam os alimentos em casa. Muitos compram semi-prontos ou já prontos sob encomenda. Encomendam bolo, tender, frango. Ou fazem um churrasquinho. Na TV o tradicional especial de Natal. Mas a TV está sozinha. A criançada está reunida no computador do avô vendo um vídeo legal de algum Youtuber famoso. Ou já brincando com os presentes de Natal antecipados que ganharam. O churrasquinho vai rolando. Nem sempre esperam meia noite para a ceia. Para que esperar? Quando chega a meia noite, todos se cumprimentam. E trocam presentes. As mães entregam seu presentes aos filhos. E os que ainda acreditam no papai noel, correm olhar na árvore se o presente já chegou. Abrem, se animam. Video games, celulares, boneca que fala, pista de carrinho automatizada...Não brincam. Porque a mãe não quer que o primo quebre o brinquedo do seu filho. Guardam tudo.


Chegando em casa, finalmente podem dar uma espiada nos presentes. Mas logo vão dormir pois já é muito tarde. No dia seguinte vão para o mesmo lugar onde passaram a véspera. Mas a maioria não leva seus brinquedos. Pra não quebrar, claro. Usam a piscina ou ficam no sofá. de olho no celular, um sentado do lado outro. Cada um com seu celular, de vez em quando falam pro primo olhar um vídeo ou imagem engraçada.


As diferenças são imensas. Os tempos mudam, as formas de brincar e festejar mudam. Mas o que não pode mudar é a alegria de se reunir para o Natal, de se reunir com a família. De ter um momento especial de amor, paz e perdão. FELIZ NATAL A TODOS!!!



Involução humana: Homo Corcundus

Estudando a evolução do ser humano através dos tempos, percebemos que ele mudou de uma posição quase animalesca, para uma forma bem mais ereta. O homem, que antes era praticamente um parceiro e andava ao lado de animais e até abaixo de vários deles, foi desenvolvendo seu cérebro, seu corpo. Passou a caçar, a tecer. Descobriu o fogo. De nômade passou a fixar moradia num local quando desenvolveu a agricultura. Não era mais um parasita. Aprendeu a cultivar a terra e a cercar seus animais para alimentação e transporte.


Fixando moradia, ele precisou descobrir maneiras de proteger seu patrimônio. A terra onde estava agora era dele. Pois o que estava nela tinha sido plantado por ele, construído por ele, caçado por ele. Essa pequena comunidade começou a ser ameaçada por outras que queriam tomar tudo aquilo que eles suaram pra conseguir (parece até alguns movimentos que conhecemos hoje?). Então criaram suas armas de guerra. Precisaram lutar agora não apenas para ter o que comer, mas para proteger sua propriedade.


E cada comunidade foi constituindo regras de boa convivência e para sua proteção. A sociedade foi se organizando. E não apenas os nômades e bárbaros queriam tomar os pertences dos outros, como também uma comunidade queria englobar a outra e submetê-la ao seu domínio. Quem tinha mais terra, mais escravos, mais posses, era o Poderoso Chefão da época.


Com isso veio de maneira mais intensa estudos para desenvolver uma tecnologia que permitisse proteger, atacar e desenvolver estratégias mais eficazes para ser o chefão. Os mais perspicazes começaram a criar novas armas e planos de ataque e defesa. Os mais fortes eram treinados para usar essas armas. E as mulheres? Bom, nem preciso dizer o que era feito delas.


E vieram grandes guerras. Fome. E doenças. E como as doenças estavam dizimando grande parte da população, foi necessário realizar mais pesquisas para descobrir maneiras de curar esses males. Mas os males precisavam ser curados e evitados. Perceberam então que muitas das doenças eram causadas por causa da falta de higiene. E começaram a entender a necessidade da limpeza e da prevenção.


Com isso tudo, as guerras foram diminuindo em grande parte do mundo pois se desenvolveu a retórica e a lógica. Os grandes Chefes de Estado passaram a dialogar antes de atacar. Claro que houveram alguns escapes que mataram muita gente... Enfim, nesses "escapes" novas tecnologias se desenvolveram. Pois quem detivesse a melhor tecnologia, detinha também o poder. Porém, algumas pessoas perceberam que essas tecnologias de guerra também poderiam ser utilizadas para melhorar a vida da população. Armazenagem mais eficaz de comida, meios de comunicação, transporte.


Poderíamos conversar com um parente do outro lado da cidade. Ou de outra cidade. Ou de outro país! Que maravilha! As notícias que antes demoravam dias, meses, chegavam muito mais rápido aos jornais. Ficamos mais informados e conhecendo o mundo. A televisão, as imagens de outros locais. O rádio. E depois os celulares. Que ótimo poder conversar sem estar em casa.


Mas isso era pouco ainda. Havia uma tecnologia de guerra não explorada: a internet. Essa veio para modificar de vez o estilo de vida das pessoas. Computadores pessoais, notebooks, tablets e...o "smartphone". E com ele uma nova etapa da evolução humana se iniciou:  de "Homo Erectus" a "Homo Corcundus". O Homo Corcundus ou HC como vou chamar agora, passa o dia conectado. Pescoço olhando para baixo. Para o pé? Não, para o celular. Ele agora pode ver o mundo todo, conversar com várias pessoas e saber das notícias em tempo real. E ele não perde um lance, uma oportunidade de fazer uma foto ou um vídeo, e mandar imediatamente para sua Rede Social.


O Homo Corcundus está a cada dia mais fixado na tela. Foi tão engraçado ver a filmagem de um casamento esses dias! A noiva entrando e a igreja toda olhando para ela pela tela do celular, que filmava ou tirava fotos. Poucas pessoas olhavam para ela e retribuíam seu sorriso. Poucas pessoas viviam o momento com ela e o noivo, seus amigos. O HC passou a viver como no Mito da Caverna de Platão. Ele vê o mundo pelas sombras nas paredes da caverna, ao invés de sair e observar como a vida é muito mais bonita em alta definição. E a cada dia sua coluna entorta mais, pois ele está enxergando menos e escutando também. Precisa chegar bem pertinho da tela do seu "projetor de vida".


O homem partiu de si, se abriu para o outro e agora volta para sua concha, seu casulo. Quem sou eu para falar de internet, de TV? Também estou participando dessa evolução. Mas percebo que ela é bem dolorosa. E que está na hora de tentar reverter. Vamos voltar a olhar frente a frente. Usar com sabedoria a tecnologia. Fazer dela um instrumento de uma evolução para cima.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Sou Mia, a gata de apartamento, prazer em conhecê-lo!


Oi, gente! A chefe do meu bando foi dar uma voltinha e esqueceu essa caixinha preta de letras ligada. Sempre vejo ela apertando várias coisinhas aqui e saindo várias historinhas da carochinha, então eu tive vontade de fazer o mesmo. Sim, sou uma gata de apartamento 4 meses de idade. Sobre o fato de eu saber escrever, não pense sobre isso. Apenas aproveite minha historinha.







Todos os dias a chefe de meu bando acorda muito cedo. Na mesma hora que eu, coincidentemente. E logo peço um pouco de ração, pois passo a madrugada toda acordada e sinto muita fome. Como vejo ela indo à caixinha de areia dela, que no caso nem areia tem, apenas água, eu vou pra minha também. O engraçado é que a caquinha que ela faz vai embora depois que ela aperta um botãozinho. Coisa mais chata. O legal mesmo é enterrar.

Depois disso, eu fico doida por um colinho, afinal, ela passa a noite toda trancada na caminha dela e eu correndo por aí. Dentro do apartamento, claro. Sou uma gatinha de apartamento. Mas ela me diz: agora não posso. Fico chateada, mas não desisto! Começo a correr entre as pernas dela, andar na frente dela, para que me olhe e me pegue! Então ela sorri pra mim e me pega. E eu fico toda contente, ronrono. Mas logo minha alegria acaba pois ela me põe no chão e vai trocar sua pelagem. Aliás, queria entender como ela consegue mudar de cor todos os dias. Por mais que eu tome meu banhinho, perco apenas uns pelinhos. Ela perde tudo e pega um outro na caixa grande do quarto dela. Eu adoro entrar nessa caixa grande. Mas ela sempre diz: sai, Mia! Eu tento me esconder, mas ela me tira. Mas eu entro lá quando ela sai e esquece a porta aberta. Tem muitas presas lá. Tem umas coisas penduradas nas pelagens dela. Umas cobrinhas coloridas. Ela brigou outro dia porque matei uma delas. Poxa, eu só queria ajudar...

Ela sai e eu vou logo achar um lugarzinho pra dormir. Gosto da caminha dela, do beliche da outra gata do bando, uma menor, mas não é a chefe. Gosto dela porque sempre me diz: vem com a mamãe. O engraçado é que não vejo semelhança entre nós? Também tenho um túnel rosa muito legal, com um lugarzinho que uso para afiar minhas unhas. Tenho que estar preparada para qualquer presa que eu encontre!


Tem um gato, maior que a chefe, que passa a manhã comigo. Às vezes tiramos um cochilo juntos. Outras vezes ele fica numa outra caixa de letrinhas, só que bem maior que essa que estou usando.

Quando minha barriguinha começa a roncar de novo, a chefe chega. E o parceiro dela também. Gosto muito dele porque brincamos de mordidinhas. No caso, eu o mordo. E ele sempre diz “ai”! E eu fico contente e continuo, pois ele deve ter gostado! Eles me dão meu papá e fico esperando um colinho de novo. Mas muitas vezes o telefone toca e o gato chefe sai correndo. E a chefe do bando vai lavar as vasilhas de ração deles. Eles bebem água numa tigela comprida e transparente, diferente da minha. Acho que eu não conseguiria, até porque as patas deles conseguem segurar a tigela. As minhas não. Mas eu consigo pular de muito alto e eles não.

Depois que todos saem, minha mãe gata e o gatão grande ficam batendo papo comigo e chega minha hora de ir vigiar lá fora. Subo em cada uma das janelas do apê e olho tudo. Tem uma plantas suspeitas que eu queria pegar mas a chefe colocou uma tela que impede que eu saia. Já tentei morder, mas ela não rasga.


À noite é minha hora preferida, pois o bando todo se reúne pra comer ração e olhar para uma caixa falante que fica na parede. Eu não sei o motivo disso, mas o que gosto mesmo é de ficar no colo de todos eles, que conversam comigo e brincam, que me afagam e dizem que sou bonita. Amo meu bando. Só não entendo porque todos vão para suas caminhas na hora mais legal! Eu pulo neles mas me põem pra fora e fecham a porta. Eu corro e bato na porta mas não abrem. Bom, então eu deixo os chefes dormirem e vou pra caminha dos gatos menores. Eles me dão um lugarzinho e eu durmo um pouquinho. Até eu ver uma presa e sair correndo para pegá-la!

E esse é um dia na minha vida. Sou Mia, a gata de apartamento. Lambeijos a todos vocês!