sábado, 3 de dezembro de 2016

"Coisas de Longo Prazo"


Hoje quando acordei, ainda com muito sono, realizando minha higiene matinal, percebi: havia esquecido de novo de escovar os dentes antes de dormir! As desculpas foram inúmeras: estava com sono, queria ir pra cama logo, estava tão cansada que dormi vendo TV, um dia só não vai fazer mal... E com isso, um dia e mais outro, vão se juntando vários dias sem escovar os dentes antes de dormir e o ambiente vai se tornando propício a mais uma cárie.

E não é só nisso que ando errando. Percebo que preciso cuidar mais das coisas de Longo Prazo. “Coisas de longo prazo” soa estranho, mas foi isso que pensei. Escovar os dentes é uma coisa de longo prazo. Agora não vejo. Mas daqui a um ano...o dentista vê. E depois sou eu que vejo o boleto, vejo o motorzinho fazendo “zummmm”...ui!

Também existe o erro na hora da alimentação. Ah, só hoje não vou comer salada. Só hoje vou comer fast food. Hoje é domingo e vou me dar um desconto. Ok, se dar um desconto é ótimo. Mas tem gente que se dá um desconto de domingo a domingo. Faz um domingão prolongado. Ah, só hoje eu vou deitar sem postura no sofá porque estou muito cansada. Só por hoje eu vou deixar a garrafa d´água da geladeira sem encher. Ah, deixa o médico para o mês que vem, nem está doendo tanto assim.
E por aí vai. Adoramos protelar, deixar pra depois e nos perdoar por um esquecimento com a desculpa que merecemos pois trabalhamos tanto e estamos tá cansados...Mas, infelizmente, o corpo e o mundo não perdoam. Aquele dente não escovado por várias noites, terá muitas consequências. As repetidas vezes que deixo de me alimentar bem, ou de sentar com postura, terão resultados.

Aos vinte e poucos anos, eu não achava que deveria poupar. Cem reais por mês do meu salário era um absurdo pra tirar, eu queria usar pra algum lazer, ou algo que eu quisesse muito no momento. Dez anos depois eu percebo o montante que perdi porque não pensei a longo prazo. Imagine: 100 reais ao mês por 12 meses, em 10 anos? Dez mil reais no mínimo, sem contar com os juros compostos que incidiriam nesse período se eu não fizesse nenhum saque. Naquela época parecia que demoraria uma eternidade. Mas a eternidade chegou e eu não fiz o meu pouco a cada dia.

As “coisas de longo prazo” funcionam como uma poupança. Ou como uma semente. O pouco plantado, regado, guardado e investido todos os dias, viram algo maior. E não adianta chorar se plantou espinhos porque não vai colher rosas.
Então vamos parar de protelar e começar a fazer a “tal” listinha com resoluções para 2017 e incluir nela: se alimentar melhor, escovar os dentes todas as noites e após as refeições, dormir bem e o suficiente, comer melhor, poupar dinheiro, ter boa postura, fazer exercícios, estudar...Há 5 anos eu quis poupar, estudar, me exercitar. Mas achei que era muito custoso, que demorava demais...mas se eu tivesse começado?


O tempo passa rápido. Comece agora. Ou amanhã. Mas depois de amanhã não. As coisas de longo prazo estão nos empurrando para a ação agora! 

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Uma noite no cinema

Gostaria de falar um pouco de cinema. Mas não de lado de lá. Quero falar do lado de cá. Do lado do espectador. Espectador? Palavrinha antiga, não só no termo, mas também na sua definição. Porque hoje não somos mais espectadores. Participamos, escolhemos, criamos conteúdo. O cinema, a TV, as mídias respondem aos nossos desejos. Mas fiquemos por ora apenas com o cinema.


Sábado a noite. Dia oficial do filme. Pelo menos pra mim. Na sexta já me programo. Organizo toda a minha vida para assistir algo especial. Não aqueles filmes que pegamos pela metade durante a semana na TV a cabo. Mas aquele filme especial, escolhido a dedo. Uma ocasião de cinema. Sim, sábado é minha "ocasião de cinema".






Na sexta já começo a pensar. Olho primeiro nos anúncios de cinema do jornal. Vejo trailers, horários. Se algo me agrada já me programo. Compro online. Ou chego uma hora antes. Depende de meu tempo e meu estado de espírito. Se nada me tocou, começo a pensar no plano B: filme em casa. Na categoria filme em casa eu tinha três opções: locadora, TV a cabo e Netflix. Porém, a locadora perto de casa fechou, e fiquei triste pois eu ia lá desde criancinha. Era um dos meus locais prediletos. Senti quase a mesma tristeza que no dia que demoliram um dos cinemas mais antigos de minha cidade. Ou no dia que demoliram metade da escola onde estudei a vida toda.


Aham, continuando, Tenho duas opções. E dentro da opção TV a cabo, tenho uma subopção, que substitui de maneira 4x mais cara a minha antiga locadora, que é "locar" filmes online. Qualidade de imagem e som é bem melhor, mas na locadora física eu pegava vários filmes pelo preço de um nesse novo sistema. Escolhida a opção, vem a parte deliciosa: os "comes" durante o filme.


Sou do tipo que não assiste filme sem beliscar. Pipoca é a opção 1. Depois vem salgadinhos de pacote, chocolate, docinhos de gelatina ou goma, chiclete e suco. Ou refrigerante. Sim, muitas gordices. Ocasião especial pede cardápio ousado.


Tudo preparado, no cinema ou em casa, é só chamar a galerinha e dar o "play".


Adoro os trailers. Conheço minhas futuras escolhas de filmes. E já fico ansiosa dizendo: esse eu quero ver! Ah, esse deve ser uma porcaria. E também fico muito brava com filmes cheios de spoilers. Assistindo o trailer não precisa nem ver o filme. Você já sabe tudo o que vai acontecer. O bom é que se demorar uns meses pro filme passar a gente só lembra que gostou do trailer e assiste, pois já esqueceu de tudo...


Começa o filme e também a bagunça. Aquele "clic" característico das latinhas de refrigerante sendo abertas ou o barulhinho do gás saindo das garrafas. O som do saquinho de salgadinho e das pipocas sendo mastigadas. Mas ninguém reclama, pois todos estão juntos nessa.


Daí a pouco aquela criança que fica perguntando tudo: "Mãe, porque ele pegou aquele pauzinho? Quem é a Mary? Olha, ele tá abaixando, olha, ele pegou a pedra, olha, ele jogou a pedra na cara da senhora..." E de repente um "shiuuuuu"! Silêncio pedido e solicitação atendida. E quando vai aquela galerinha que tudo que acontece tira sarro em voz alta? Ou aquele casal que nem filme tá vendo, só quer se beijar bem na sua frente fazendo aquele barulhinho irritante de beijo que só aguenta escutar quem está participando? Ainda não acabou não! Se o filme é de comédia sempre tem aquele "ser" com a risada mais escrachada de toda a cidade, que resolve vir exatamente na sua sessão e que te faz rir mais do que o próprio filme. Nas primeiras vezes né? Depois aquilo vai te irritando e a vontade é de subir e colocar uma rolha na bendita ou bendito.


Mas ainda tem uma situação específica que é a do filme longo e interessante. Porque você quer ir ao banheiro, mas não quer perder nadinha do filme. Então, já sabendo disso, você nem bebe seu suco. Molha um pouquinho a boca quando dá aquela sede, porque é melhor passar sede do que sair do filme e perder algum lance. E quando você não sabia que o filme era longo e bebe 3 litros de água e acaba saindo e, quando volta, o personagem principal morreu ou aconteceu a coisa mais importante do filme e ninguém quer te explicar porque está atento à ação?


Em casa tem alguns problemas que não acontecem como no cinema. O banheiro está ao lado. Mas se aumentamos o som, no caso de apartamentos, logo o vizinho interfona ao porteiro que nos pede pra abaixar, ou, os mais impacientes já lascam a vassoura no teto. Ou no piso, no meu caso. Então ficamos sem a opção do som que tem no cinema. Mas quem mora numa casa grande e isolada pode fazer "a" sala de cinema. Então coloca sua tela de 60 polegadas com um som espetacular e pronto. Cinema sem seus inconvenientes.


Mas apesar de tudo isso, adoro o cinema. Em casa ou fora dela. E mesmo as vezes saindo brava de um filme, logo estou de volta. Pronta pra escutar de novo a risada da tia doida, ou pra passar sede e não ter que ir ao banheiro e perder a melhor parte do filme.















quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Ficar pra titia é bom?

Conversando com uma atendente de um supermercado ontem, ouvi a seguinte afirmação: nossa moça, estou ficando pra titia! Minha irmã caçula já está grávida e eu nem namorado tenho! Vou ser o tipo de tia solteirona que gasta todo seu salário com mimos para o sobrinho.
Eu disse a ela que se acalmasse, que nunca é tarde para ter um amor, que ele sempre chega na hora certa.
E então ela respondeu: mas já tenho dezenove anos! E nem um paquera eu tenho!
...


Nessa hora eu paralisei. Nem sabia o que dizer. Com dezenove anos ela já estava com medo de ficar pra titia? Era isso mesmo? Deve ter se imaginado como aquelas tias velhinhas de óculos com aquela correntinha pendurada, cabelinho branco e aquela voz de titia querendo ser legal e apertando as bochechas do sobrinho. Que nas tardes em casa assiste Sessão da Tarde com bolinhos de chuva e uma caixa de lenço de papel e quando acaba passa pra novela mexicana e sofre com a mocinha da novela...




Se eu a conhecesse melhor, e não estivesse com tanta pressa (novidade...), teria dito a ela, que aproveitasse sua idade. Que estudasse, passeasse, curtisse seu sobrinho porque é uma delícia ser tia. Que ajudasse sua irmã a cuidar dele e o enchesse sim de mimos. Que desencanasse de namoro, casamento e afins. Que continuasse suas atividades e se esforçasse em cuidar de si mesma.
Fazendo assim, se amando e, claro, estando aberta ao amor, na hora certa viria um carinha que a valorizasse, pois ela se valorizou antes. Porque não tem nada pior que mulher que não se valoriza e casa com o primeiro trouxa que aparece só pra não ficar sozinha.




Eu também diria a ela um pouco de minha história. Aos dezenove anos me casei. E abandonei meu sonho de ser jornalista. Não cheguei nem a entrar na faculdade de jornal. Não abandonei a música, uma grande paixão. Mas a escrita, que é minha paixão desde criança. Então esse casamento não foi dando mais certo. E acabou. acabou porque muita coisa foi deixada de lado em detrimento de uma paixão.




E depois de alguns anos, conheci meu atual marido. E deu muito certo. Foi na hora certa. Depois dos 30 anos. Mas não foi tarde. Porque o que aprendi me tornou uma pessoa nova, preparada pra me amar antes de amar ao outro. E é isso que faz toda a diferença. (E claro, só pra vocês saberem, retomei meus sonhos, apoiada por ele (que lindinhooo!), mas com uma roupagem atualizada).




Mas...mesmo que eu dissesse isso tudo, não adiantaria. Nunca diga a um jovem: não faça isso, ou faça aquilo. Ele quer ver. Ele não acredita. Sei bem como é, afinal, fui eu que casei aos dezenove e larguei meu sonho...rsrs. O jovem não escuta ninguém. Ele segue o coração. Mas essa virtude de saber agir com a razão é muito rara no jovem. Não dá pra cobrar isso ainda. Mas dá pra orientar. Mesmo que ele não escute um dia vai dizer: bem que minha mãe dizia, rsrs. Quando chega nesse ponto às vezes já cometeu um monte de erros. A gente só espera que sejam errinhos que deem pra consertar. Erros que ensinam. Não que eu seja tãaao velha assim né? Afinal, 30 e poucos é a idade do sucesso! rsrsrsrs




Agora me deem licença que vou ver meu sobrinho! Vem cá pituco lindo da titia que vou apertar suas bochechaaaaaas!!!













sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Nem machismo, nem feminismo. Opto pelo Humanismo.




Após ler esse texto, eu refleti. Muito. E minha conclusão não foi uma concordância. E nem uma oposição. Minha conclusão foi esse texto que acabo de escrever:

  Eu fui uma feminista. Fui criada como feminista. Zoava os machistas e as meninas que queriam crescer, casar e ter filhos. Nunca aceitei que o homem teria o papel de provedor. Queria trabalhar, estudar, ser igual a eles. Ter os mesmo direitos. Sonhava com uma carreira, tinha planos. Brigava contra o machismo. Então um dia...eu não me coloquei no lugar dos machistas porque eles estão errados mesmo e ponto final. Mas me coloquei no lugar de observadora. E percebi que ser feminista ou machista é burrice. Eu posso muito bem lutar pelos meus direitos femininos, estudar, trabalhar fora, dar minhas opiniões e fazer o que os homens fazem. Mas pra isso não preciso agredir os homens. Não faço aos outros o que não quero que façam pra mim. Eu posso ser uma ótima profissional. Mas não deixo ainda de ser mãe e de ter que deixar minha casa limpa, porque ninguém merece viver na sujeira.


E o meu marido tem sim que colaborar em casa. Ele trabalhou tanto quanto eu e não custa nada me ajudar na louça, a jogar a roupa dele no lugar certo, a varrer um chão, afinal, nós dois saímos para ganhar o pão. E como não feminista e nem machista, creio que os papeis são iguais, inclusive dos filhos, porém cada um dentro das suas particularidades, de suas características.


Como exigir de uma mulher que seja igual ao homem na hora de carregar um peso de 100kg? Ou exigir de um homem que vá parir um filho? Por isso deixei de ser feminista, e também nunca fui machista. Essas segregações na verdade castram o ser humano. Eu posso ser mulher, posso usar vestido rosinha se quiser, ou um coturno preto com uma calça roxa. Posso ser homem e brincar de boneca com minha filha, e levar meu filho pra um museu ver arte. O segredo é parar de ver divisão em tudo, homens e mulheres. E começar a ver onde podemos ser unidos, ser um só. Onde podemos nos ajudar. Nosso tempo é precioso demais pra ficar com pequenas rixas, quando podemos gastá-lo em ser felizes. Fica a dica!

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Cadê o blog?

Muita gente está se perguntando: o que aconteceu ao blog "Trama de Letras"? Sumiu, acabou, parou de ser escrito? Naaaão! O que aconteceu foi o casamento. Meu casamento. Sim. Casei em 20 de agosto de 2016. E os últimos 7 meses foram os mais malucos e movimentados da minha vida.


Imagine assim: uma pessoa de mais de trinta anos, com dois filhos da primeira união, que mora na casa dos pais, que trabalha, estuda, tenta escrever um blog e colher material para o mesmo, que passou por uma cirurgia e mais outra cirurgia da filha depois de um mês, compra de um apartamento, compra de todos os móveis dele, organizar sozinha, apenas com a ajuda de alguns familiares, uma cerimônia religiosa e uma festa de casamento criativa, com um baixo orçamento...sim, foi isso que aconteceu nos últimos sete meses, de maneira beeeem resumida.


Será que a criatividade de alguém suporta tanto? Eu achava que sim, que nada me impediria de escrever no blog. Ou de ler meus livros e ver os filmes e séries que tanto gosto, ou de acompanhar meus canais prediletos no YouTube. Mas impediu.


Sete meses depois estou avaliando os danos:


- sete meses sem postar no blog
- sete meses sem ler um livro novo
- sete meses sem acompanhar diariamente meus canais prediletos no You Tube
- sete meses sem dormir direito, sem marcar direito minhas contas no meu app de finanças, sem guardar e organizar cada coisa que chega à minha mão, sem visitar ou marcar algum passeio com amigos...


Foi isso mesmo. Sete meses de loucura e de um assunto único: casamento. Vestido de noiva, noivado, aliança, enfeites da festa, comida, tipo de cardápio, buffet, cores da decoração, playlist da festa...Entrei até num grupo de casamento no face, e minha amiga me tornou administradora...rsrsrs. Também, aprendi tanto sobre organização de casamento que já poderia trabalhar como cerimonialista, organizadora de casamentos, rs. Bom, continuo postando nesse grupo minhas experiências e ajudando as noivinhas, sobre a vida de recém casada e as novas descobertas. Acabou se tornando algo que quero continuar fazendo.


Como veem, minha inspiração nesses sete meses foi apenas para o casamento. Quase criei um blog sobre o assunto rsrsrs.


Mas enfim, depois de todo esse tempo de afastamento, o blog volta à ativa. Obrigada pela amizade de todos vocês e por me acompanharem. Abraço a todos!

terça-feira, 1 de março de 2016

Por que o Brasil não vai pra frente? Será que a culpa é mesmo dos políticos?

Sabe porque o Brasil não vai pra frente? Não é a Dilma e nem os políticos. É por causa do povo e suas pequenas corrupções. Brasileiro acha lindo levar vantagem. Dar calote, sair sem pagar. Conta vantagem pra todo mundo porque o coitado do caixa da padaria deu troco a mais pra ele e a coca saiu de graça. Pega no chão uma carteira que pode ser identificada, leva o dinheiro e joga a carteira na rua. Não pensa na dor de cabeça de quem perdeu seus documentos e dinheiro. Empresta dinheiro do amigo e não paga. E se é cobrado fala pra todo mundo que o amigo é ruim, que não tem misericórdia. E o pior é que o sem vergonha que emprestou e não pagou ainda gasta dinheiro em supérfluos na frente do amigo e ainda ri da cara dele. "Me cobrou? Não quero mais amizade!". Ingratidão. Hipocrisia.

No Brasil esse tipo de atitude é premiada. "Meu filho é esperto! Parabéns! Trocou a etiqueta do produto na loja e pagou mais barato. Puxou ao pai!" Coitado. Puxou mesmo. A um pai desonesto que nunca terá paz para dormir. Ou terá, porque esse tipo de pessoa sem escrúpulos não tem consciência pesada. Aliás, acho que nem consciência tem.

Recentemente vendo um vídeo no canal Cadê a chave, Nilce e Leon falavam sobre isso. Como o brasileiro premia a atitude corrupta. E como lá no Canadá isso é condenado. As pessoas confiam umas nas outras. Porque ninguém quer passar o outro para trás. A atitude de corrupção é condenada. Gozado né? Lá o país se desenvolve e cresce tanto! Por que será?

Tento ver uma explicação histórica. Como esse país começou? Indígenas moravam aqui. Portugueses e espanhóis chegaram. Colonizaram? Não diria isso. Diria que fizeram deste país um depósito de pessoas da pior espécie. Aqui era um exílio para os marginais, ladrões, assassinos. Tudo que era porcaria mandavam pra cá. Assim não tinham que lidar com cadeia, sustentar preso e vagabundo. E dessa base linda se formou nosso país.

Ainda bem que depois vieram os imigrantes de várias partes do país. Com princípios retos, pessoas honestas, trabalhadoras. Sei que caráter não se define por genética (será?). Mas a criação, mesmo não sendo o fator principal, influencia. E muito. Apesar de saírem boas pessoas de lugares ruins e vice versa, como vemos todos os dias e Suzane Richtoffem é um exemplo vivo disso, ainda vemos uma predominância dos filhos que seguem os pais. Que se contaminam com o ambiente nocivo.

Pensando em tudo isso, pode esse país crescer? Tenho minhas dúvidas. Não consigo acreditar nisso. Apenas faço minha parte, ajo de acordo com os princípios que tenho em mim. E procuro conscientizar os que estão perto. Não sou perfeita. Mas tento a cada dia ser melhor. E que cada brasileiro também tente.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Ter uma vida "flat" ou se indignar? Qual o melhor caminho para o crescimento?


O que me faz criar? Qual o "start" para um novo texto? Me perguntando isso hoje, e revisando meus textos do blog, percebi que o meu maior combustível é a indignação. Ela me faz pensar, criar, escrever. Quando fico realmente indignada, logo quero ir para o computador falar sobre o assunto.


Mas por que não escrevo quando estou feliz? Por que a felicidade não é combustível para novas ideias e textos? Talvez uma resposta seja: felicidade não movimenta o homem. O ser humano é inquieto por natureza. Ele quer ter um problema. Isso mesmo! O ser humano é movido à problemas.


Imagine uma pessoa feliz. Ou pelo menos satisfeita com sua vida. Ele acorda todos os dias cedo, vai pro trabalho, faz seu serviço, volta pra casa. Toma seu banho, come uma comida feita por sua esposa atenciosa. Depois senta em frente à TV, conversa com a família, e vai dormir. Aos finais de semana vai passear. Ou descansar em casa, visitar um parente, fazer um churrasquinho na chácara ou no quintal de casa. Quais as aspirações desse indivíduo?


Te digo quais são: continuar assim. Essa vida pra ele é satisfatória. Para que se esforçar mais e fazer cursos? O seu salário está bom. Sua novela chega todos os dias no mesmo horário. Sua esposa parece satisfeita (parece). Seus filhos vão bem na escola e um dia terão um emprego como o dele. Sua diversão é comprar uma costela e assar. Ele não tem sonhos maiores ou desejos. Já tem sua casinha, seu carro popular.


Esse é um indivíduo acomodado. Seus problemas são básicos. Talvez uma doença na família ou um desemprego mexam com ele um pouco. Mas é só ter a resolução que ele volta para essa mesma vida. Vida "flat". Um indivíduo assim não tem aspirações. Suas reclamações se limitam aos que estão próximos a ele e que, como ele, nada fazem para modificar as coisas. E por que um indivíduo assim escreveria um texto ou teria uma atitude real para mudar alguma coisa?


Agora imagine um sujeito inquieto. Não que ele seja infeliz, mas simplesmente ele não aceita o que está posto à sua frente. Ele quer mais. Ele sabe que tem direito à mais que isso. Mas ele não fica parado. Decide agir. Escreve um artigo, estuda, procura coisas diferentes, ensina. Esse indivíduo não é passivo. Não é mero consumidor de conteúdos. Ele é criador. Formador de opinião. E não subestime o poder de um formador de opinião!


E agora pensando nesses dois tipos de pessoa: qual delas pode fazer uma mudança real? Qual delas escreveria um texto? Nem preciso responder. Imagine um texto do senhor-satisfeito-com-sua-vida:


"MINHA vida é boa. Tenho MINHA casa. MEU carro. MINHA família está sempre comigo nos MEUS momentos mais importantes. Não penso em mudar nada. Importante é MINHA vida estar bem. O governo está ruim? Mas EU não tenho passado dificuldade. O vizinho está com problemas? EU não tenho nada a ver com isso. Por que eu estudaria? Isso cansa. Prefiro ver MINHA TV a noite, passear. Não quero mudar nada. Está tudo bom".


Argh. Bem individualista. Egocêntrico. Passivo.


Agora o texto do inquieto, do indignado:


"Minha vida não é ruim. Tenho um emprego e uma casa. Mas sei que POSSO MELHORAR. Não aceito ver toda essa situação injusta no mundo. Creio que todos precisamos trabalhar para isso. Tem um curso novo? Se isso vai ajudar a dar mais qualidade ao meu trabalho e me diferenciar, vou fazer. Apenas ver TV? Não! Quero escolher o que assistir. Será que minha esposa está feliz? Preciso conversar com ela, com meus filhos. Se puder fazer algo para que fiquem felizes, farei. Aliás, estou me inscrevendo num novo curso, e minha esposa vai fazer uma aula que gosta muito: finanças. Ela me disse ontem que se sente feliz ao meu lado e que juntos poderemos transformar nossa vida em algo melhor do que já é. O que tenho é bom. Mas pode ser ainda melhor se eu lutar".


O indignado escreve. Lê. Opina. Faz. Transforma. Cria. É ele que muda algo, que inspira. O acomodado "feliz", na verdade, não vê os outros. Só a si. Por isso vou continuar me indignando. Continuar me movendo. Estudando. Criando. Creio que estou muito longe do patamar de especialista em algo. E creio que nunca chegarei a isto plenamente. Ninguém chegará. Porque essa á a delícia do mundo. O aprendizado constante. A delícia do mundo é se indignar. E ficar feliz com a resolução. Ou não. Nem todas as nossas indignações podem ser resolvidas. E esse combustível, esse impulso é o que transforma água em vinho.